r Josh Wink, o estilo na época era o Deep House que hoje quando escutado lembra Minimal. Como os equipamentos e a produção de música eletrônica eram novos, várias vertentes e nomes apareceram. A idéia que Josh Wink teve em lançar a série Profound Sounds segue até hoje no seu terceiro volume. A primeira versão do famoso software de edição de áudio digital havia sido lançado há quatro anos e Josh Wink usou desta tecnologia para criar o set do primeiro volume. No segundo volume ele admitiu e mostrou o processo no qual Profound Sounds é feito. Resumidamente, ele grava as músicas dos vinis para o computador nas quais ele pediu autorização para lançar, após isso ele edita e mixa as músicas com software de edição chamado Logic similar ao Pro Tools. Isso faz com que ele tenha um grande controle sobre o produto final criando um set perfeito e que na verdade deveria ser feito a mão [de MKII pra MKII]. É um set perfeito para o Dj Josh Wink que anos mais tarde a sonoridade e estilo do primeiro volume é a sonoridade do produtor Josh Wink. "20 to 20 lançado em 2005 tem como linha o que Wink resumiu no ‘Profound Sounds Vol. 1’.‘Cassius 1999’ é o ápice da dulpa Cassius e da House Music nesta época. É literalmente o disco de mil novecentos e noventa e nove, uma obra prima que não foi e pode ser su
perada pela dupla. ‘15 Again’ foi lançado em 2006 e a sua maneira conseguiu estabelecer o novo tom para dulpa. ‘Cassius 1999’ foi algo tão estrondoso que o próprio conterrâneo Stuart David Price mais conhecido como Jacques Lu Cont e Les Rythmes Digitales com álbum ‘Darkdancer’ também lançado no mesmo ano, não teve o devido ressalto. A capa do disco ‘Darkdancer’ foi a principal culpada por tal “fracasso”. Enquanto Cassius fez um encarte primoroso que amplificou todo o conceito do disco, Les Rythmes Digitales com a capa do disco ‘Darkdancer’ passou apenas a imagem básica da música eletrônica; fazer você dançar. Essa disparidade foi uma grande separador
de águas para produtores e estilos.
música eletrônica que teve seu início no começo da década de noventa perdurar por tanto tempo e ainda ter seu conceito desgastado mantendo-se somente pelo próprio conceito é algo maravilhoso e ao mesmo tempo duvidoso. A década atual não consegue estipular, criar e reanimar qualquer estilo musical; está tudo estabilizado favorecendo as grandes gravadoras. Imagine que você investiu em um fundo de investimento chamado The Chemical Brothers, você ficaria ExtraDupaSupa feliz por estar lucrando a mais de quinze anos, mas a cada dois anos quando o fundo vence você passaria por momentos duvidosos e de ansiedade. Nesse exemplo você seria a Virgin Records distribuidora e principal alicerce para o estado atual da dupla The Chemical Brothers. A cada dois anos a dupla tem que lançar um álbum, para muitos o disco de dois mil e nove terá uma importância crucial ao futuro da dupla. Este começo de século é desorientado e sem tendência. Como uma onda no mar esta década nada mais é que a rebarbada de uma onda e assim o que resta é esperar
por novas vertentes e inovações.
m a tendência de seguir o underground. Com o fortalecimento de selos e as gravadoras começando a sofrer com Napster e o mp3, o início de século teve um divisor de águas, ou você é popular e vende, ou você é underground e vive do seu nicho. Um estilo que mais sofreu foi o Drum’n’Bass, que após o sucesso das produções de Roni Size e o clímax do Drum’n’Bass vendável ‘Ultra Obscene’ do Brackbeat Era. Este é outro álbum lançado em noventa e nove. O vocal de Leonie Laws e o refinado conceito de Roni Size na produção do disco o tornou vendável por ser algo novo e bem feito. Após essa face das gravadoras investirem nesses estilos emergentes o Drum’n’Bass
declinou de forma a só se sustentar no underground e isso aconteceu com a maioria dos estilos. ‘Future 2000’ do Carl Cox foi um fiasco consideram o estilo a que servia, o Techno. Tais estilos como House e Techno se estabeleceram no underground e outros como Big Beats, Drum’n’Bass e IDM foram totalmente extintos. O IDM (Intelligent Dance Music) perdurou muito tempo pelo esforço dos próprios produtores, o que não foi suficiente para mantê-lo no main stream. Esta foi a prerrogativa deste “merchan” de começo de século, se não for vendável não é lançado. O álbum ‘Play’ do Moby quando lançado em noventa e nove recebeu a nomenclatura de Techno, isso só ajudou a distinguir Techno Pop do Underground. No Underground dicionarizável uma boa definição é “mo
vimento de resistência”. Se pergunte quantos nomes de bandas ou duplas de música eletrônica você consegue lembrar, se o resultado for mais de vinte nomes, todos os nomes fazem parte do âmbito Popular[Pop]. ‘Window Licker’, do estranho Aphex Twin, lançado no ano maravilhoso de noventa e nove não perdurou muito durou entre três a quatro anos. Tais estilos não tiveram espaço nas gravadoras e distribuidoras tendo como fim o underground.Em qualquer estilo de música no Underground a quantidade de músicas lançadas é muito grande, mas de difícil acesso, isto traz um diversificação e seleção onde não existe um preceito entre duas pessoas que escutam Techno, House, Minimal ou Drum’n’Bass. No ‘Popular’ todos escutam a mesma coisa deixando de aguçar o sentido pela música apenas a aceitando. Por estas e outras mil novecentos e noventa e nove foi um ano notável para música eletrônica que infelizmente foi o berço desta década. Assim como as décadas de cinqüenta, sessenta, setenta e oitenta foram para as bandas de rock e outros estilos musicais, os anos noventa foram para música eletrônica. A desilusão que estou tendo com esta década é a de quem viveu e espera viver novamente. Talvez nunca se repita, ou se repetir pode ser que eu não esteja com a cabeça de mil novecentos e noventa e nove.

