:: We are the night :: Parte I ::

Se a primeira impressão marcasse muitos artistas estariam fudidos. Eu havia profetizado que “We are the night” seria algo para o “fervo”, uma mistura de “Dig your own hole” com “Surrender”; basta escutar a segunda faixa “We are the night” já que a primeira “No path to follow” é simples sacanagem com um minuto. A faixa título conquista por relembrar os bons tempos do “Surrender” junto com as sirenes agressivas do pretão “Dig your own hole”.

As músicas marcantes com vocal de Noel Gallager e outros se perderam desdo “Come with us” e nesse álbum são várias as músicas com vocal a serem assimiladas. “All Rights Reversed” é uma delas, a voz de “Klaxons” soa estranhamente familiar com uma nova releitura para “Big Beats”. “We are the night” é um disco que consegue recuperar o clima de todos os discos anteriores musicalmente e na essência do que foi e é “The Chemical Brothres”. “Saturate” a quarta música resume bem esse sentimento e pessoalmente é aquela que valida todo o disco. A batidinha de “Minimal” saturada que entra cinqüenta segundos depois das simples e contagiantes notas muito bem sintetizadas tem seu auge com a bateria acústica no meio da música, melhor que isso só ao vivo. A música título do primeiro single “Do it Again” é o semblante do estado atual do Pai “Chemical”. O clipe dessa música é a continuidade de “Push the Tempo” do “Fatboy Slim”.

Fechando a primeira parte a cronologia usada nos álbuns sempre foi decrescente. Todos os álbuns do “Chemical” começam agitados e vão dando todo aquele clima de satisfação, euforia e relaxamento no final. Não podia ser diferente nesse álbum sendo notável a renovação na questão da sonoridade e produção. Não adianta vir com “No Path to Follow” existe um caminho sim e ele está sendo seguido. A associação com a sonoridade dos demais discos é clara. “We are the night” está cheio de “Surrender”, “Come With Us”, “Dig your own hole” e até do “Push the Button”. A melhor coisa é ver a renovação de identidade que esse álbum trouxe e que foi perdida com “Push the Button”.

:: fabric a morada do capeta ::

Em outubro de 1999 foi inaugurado em Londres o club 'Fabric'. Assim como 'Studio 54' foi para cidade de New York, 'Fabric' está para 'East End' em Londres com seus dois mil e duzentos metros quadrados de área subterrânea e três pistas que podem suportar mais de duas mil e quinhentas pessoas. Isto faz de 'Fabric' um dos melhores club do mundo.

Ciente da existência de tal club vamos ao ponto, a série 'Fabric' e 'FabricLive'. Com o funcionamento do club 'Fabric' às sextas e sábados, a quantidade de Djs e grandes nomes da música eletrônica mundial é enorme, e por que não registrar o acontecimento? 'FabricLive' é isso! Uma série de cds que intercala mensalmente com nome de 'Fabric' e 'FabricLive'. O primeiro 'Fabric 01' foi lançado dia primeiro de novembro de 2001 e o Dj em questão era o residente da casa na época, 'Craig Richards'. Um mês depois saiu o 'FabricLive 01' com 'James Lavelle' e isto perdura até os dias de hoje. Na presente data foram lançados trinta e quatro 'Fabrics' e 'FabricLives' dando um total de 68 cds. O Dj convidado é responsável pelas escolhas das músicas e conceito do seu set e a 'Fabric' torna possível a legalização das músicas e o lançamento do disco. Nas palavras do dono da 'Fabric' Keith Reilly: “Fitas de raves legalizadas”. Esses cds estão à venda no site www.fabriclondon.com por seis libras.

A força da série é tão grande que faz com que os artistas convidados sigam uma sonoridade e conceito comum a todos os discos, na sua grande maioria 'Minimal', 'Acid House', 'House' e 'Techno'.

Se mantendo há quase oito anos, 'Fabric' se torna um exemplo de sucesso como club e de ideal para muitos Djs pelo mercado gerado com a criação da série de discos.

:: QUANTIC você também! ::

‘Quantic’ é o resultado do trabalho de ‘Will Holland’. Rapaz novo na casa dos seus vinte e poucos já lançou oito discos e vários remix desde 2002. ‘Will Holland’ além de ser conterrâneo de ‘Theo Keating’(‘The Wiseguys’ ou ‘Dj Touche’) produz músicas muito parecidas. Derivadas do funk e provenientes de samplers retirados de discos antigos em vinil a textura de ‘The Wiseguys’ e ‘Quantic’ se assemelham. Porém ‘Quantic’ possui uma clareza musical que pode ser fruída do seu último disco ‘An Announcement To Answer’. O disco é uma viagem pelas sonoridades das Américas, Porto Rico e Etiópia com hip hop, soul, funk e jazz. São nove músicas, das instrumentais ‘Tell It Like You Mean It’ você realmente não tem certeza se a música deveria ser desse jeito, se torna algo fantástico a dúvida que a marcação do bumbo causa. ‘Bomb In A Trumpet Factory’ no estilo ‘The Wiseguys’ revela um sampler de bateria com características parecidas com os primeiros discos dos ‘The Chemical Brothers’ e a música título do álbum ‘An Announcement To Answer’ empolga só pela produção musical. Poder enxergar cada elemento sendo acrescentado é a síntese desse álbum muito bem trabalhado. Das músicas com vocal ‘Blow Your Horn’ participa 'Ohmega Watts' no estilo hip hop, outro destrufo é a música ‘Sabor’ um House fino mesclado com vocal latino que faz até Fidel dançar. ‘An Announcement To Answer’ foi feito em um laptop usando vários estúdios do mundo o que torce o nariz de qualquer um ao escutar a excelência que é o produto final.